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terça-feira, 29 de março de 2011

Como seria o mundo sem o Calvinismo?


Por Abraham Kuyper

Para provar isto, perguntem-se o que a Europa e a América teriam se tornado, se no século 16 a estrela do Calvinismo não tivesse subitamente nascido no horizonte da Europa Ocidental. Neste caso, a Espanha teria esmagado a Holanda. Na Inglaterra e Escócia, os Stuarts teriam executado seus planos fatais. Na Suíça, o espírito de indiferença teria prosperado. Os primórdios da vida neste novo mundo teriam sido de um caráter completamente diferente. E como seqüência inevitável, a balança do poder na Europa teria retornado a sua primeira posição. O Protestantismo não teria sido capaz de manter-se na política. Nenhuma resistência adicional poderia ter sido oferecida ao poder romanista conservador dos Hapsburgos, dos Bourbons e dos Stuarts; e o livre desenvolvimento das nações, como visto na Europa e América, simplesmente teria sido impedido. Todo o continente americano teria permanecido sujeito à Espanha. A história de ambos os continentes teria se tornado uma história muito triste, e sempre permanece uma questão se o espírito do Ínterim de Leipzig[1] não teria sido bem-sucedido, por via de um protestantismo romanizado, ao reduzir o norte da Europa novamente ao controle da velha hierarquia.

O Heroísmo do Espírito Calvinista

A devoção entusiástica dos melhores historiadores da segunda metade deste século à luta da Holanda contra a Espanha, um dos mais belos objetos de investigação, somente explica-se pela convicção de que se o poder da Espanha naquele tempo não tivesse sido quebrado pelo heroísmo do espírito calvinista, a história da Holanda, da Europa e do mundo teria sido tão penosamente triste e negra quanto agora; graças ao Calvinismo, ela é brilhante e inspiradora. O professor Fruin corretamente observa que: “Na Suíça, na França, na Holanda, na Escócia e na Inglaterra, e onde quer que o Protestantismo teve de estabelecer-se na ponta da espada, foi o Calvinismo que prosperou”.

O Cântico da Liberdade vira realidade, com o Calvinismo

Traga à memória que esta mudança na História do mundo não poderia ter sido realizada exceto pelo implante de outro princípio no coração humano, e pela descoberta de outro mundo de pensamento para a mente humana; que somente pelo Calvinismo o salmo de liberdade encontrou seu caminho da consciência perturbada para os lábios; que ele tem conquistado e garantido para nós nossos direitos civis constitucionais; e que, simultaneamente a isto, saiu da Europa Ocidental aquele poderoso movimento que promoveu o reavivamento da ciência e da arte, abriu novas avenidas para o comércio e negócios, embelezou a vida doméstica e social, exaltou a classe média a posições de honra, produziu filantropia em abundância, e mais do que tudo isto, elevou, purificou e enobreceu a vida moral pela seriedade puritana; e então julguem por si mesmos se expulsarão ainda mais este Deus dado pelo Calvinismo aos arquivos da História, e se é apenas um sonho imaginar que ele ainda tenha uma bênção para trazer e uma esperança brilhante para desvendar para o futuro.

O Calvinismo inspira a Vitória

A luta dos Boers[2] na Transvaal[3] contra um dos mais fortes poderes deve freqüentemente lembrar vocês de seu próprio passado. Naquilo que foi alcançado na Majuba,[4] e recentemente por ocasião do confronto de Jameson, o heroísmo do velho Calvinismo foi de novo brilhantemente evidenciado. Se o Calvinismo não tivesse sido passado de nossos pais para seus descendentes africanos, nenhuma república livre teria surgido no sul do Continente Negro. Isto prova que o Calvinismo não está morto – que ele ainda carrega em seus germes a energia vital dos dias de sua primeira glória. Sim, assim como um grão de trigo do sarcófago dos Faraós, quando novamente confiados a guarda do solo, traz fruto a cem vezes mais, assim o Calvinismo ainda carrega em si um poder maravilhoso para o futuro das nações. E se nós, cristãos de ambos os continentes, ainda em nossa santa luta, ainda estamos esperando realizar ações heróicas marchando sob a bandeira da cruz contra o espírito dos tempos, somente o Calvinismo nos equipa com um princípio inflexível, pela força deste princípio, garantindo-nos uma vitória segura, embora longe de ser uma vitória fácil.

Notas:

[1] Este Ínterim (provisório) foi feito em 1548 por Melanchton e outros sob o comando de Maurício da Saxônia. As cerimônias R. C. foram declaradas adiaphofron, e a “Sola” de Lutero foi evitada. Foi uma modificação muito mediadora do Ínterim de Augsburgo, imposto no mesmo ano. Ínterim significa “Acordo provisório”, neste caso entre os Católicos romanos e os Protestantes alemães.

[2] A maneira correta de grafar é boere, plural de boer, fazendeiro, modo pejorativo de os ingleses se referirem aos descendentes dos holandeses na África do Sul.

[3] Kuyper faz referência à Guerra dos Boers, na África do Sul (1880-1902), na qual os descendentes de holandeses lutaram contra o Império Britânico para garantir a independência daquele país. Kuyper apela à semelhança daquele levante com a Guerra de Independência dos Estados Unidos (1776).

[4] Majuba: Essa cidade foi palco de derrota dos ingleses, em fevereiro de 1881, o que garantiu o auto-governo ao Transvaal (então república, mais tarde uma das províncias da África do Sul).

Fonte: Calvinismo, Abraham Kuyper, Ed. Cultura Cristã, págs.48-50 Via: Blog dos Eleitos

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